Consumir produtos orgânicos faz muito bem a você e à sua família, e também ao nosso planeta, à natureza e à sociedade.
Ao consumir estes produtos, você ingere alimentos muito mais equilibrados, saudáveis, nutritivos e saborosos, sem risco de contaminação por agrotóxicos. Ao mesmo tempo, ao comprar estes produtos, você automaticamente está colaborando para a preservação dos recursos naturais, da flora e da fauna do nosso planeta. E também contribui para uma melhor qualidade de vida daquele que produziu seu alimento, pois agricultores orgânicos utilizam-se de práticas agrícolas muito mais saudáveis e conseguem uma rentabilidade muito mais justa, pois produzir alimentos não é uma tarefa fácil.
Entre todos esses benefícios de se consumir orgânicos, podemos acrescentar ainda:
- conhecer a procedência e ter a garantia e a tranquilidade de que o alimento não prejudicará a sua saúde nem da sua família;
- alimentação saudável = corpo saudável: gasta-se menos com medicamentos, vitaminas e suplementos sintéticos, tratamentos para problemas de saúde, etc.;
- sustentabilidade: o sistema orgânico de produção é realmente sustentável, pois não depende de insumos produzidos industrialmente;
- benefícios sociais: agricultores convencionais estão sujeitos às baixas de preços de mercado e frequentemente recebem pelo produto menos do que gastaram p/ produzí-lo; já no mercado orgânico o preço recebido pelo agricultor de maneira geral é bem mais justo.
“ORGÂNICOS SÃO MAIS CAROS”: SERÁ MESMO???
A maioria das pessoas questiona: “por que os orgânicos são mais caros?”. E as respostas mais comuns que costumamos ouvir são: “a produção ainda é pequena e restrita” ou “a demanda é muito maior que a oferta” ou “o custo e a dificuldade de produção são maiores”… na realidade todas estas respostas são verdadeiras, sim, mas a questão não é tão simples. Existem muitos outros fatores a serem considerados, além desses.
Por exemplo, o que nunca se menciona é: quanto custa a poluição de um rio, de um lençol freático, de um solo, a saúde do agricultor e da sua família que se contaminaram com agrotóxicos e têm sua vida comprometida de forma irreversível, a poluição e geração de gases estufa na fabricação dos fertilizantes químicos (que é bem grande, diga-se de passagem), a saúde do consumidor e de seus filhos quando ingerem agrotóxicos (já que está mais do que comprovado cientificamente que os agrotóxicos fazem MUITO mal à saúde MESMO, isso é fato)? Não há meios de se contabilizar isso tudo, pois muitas vezes a contaminação gerada por agrotóxicos ou fertilizantes é irreversível, ou seja, não tem preço, é impagável. E quem acaba “pagando” por tudo isso, não em valores monetários propriamente ditos, mas sim de outras formas (prejuízo à saúde, degradação ambiental), somos todos nós e o planeta. No entanto, geralmente não ligamos uma coisa à outra, não percebemos a verdadeira relação de causa e efeito que existe, por exemplo, entre a ingestão de agrotóxicos e ocorrência de certas doenças como o próprio câncer e também diversos outros distúrbios.
Então consumir orgânicos é pensar na sua própria saúde e da sua família, sim, mas também há uma série de outros benefícios à sociedade (saúde e melhor remuneração do agricultor – um comércio mais justo; menos poluição e maior conservação dos recursos naturais) e ao ambiente. Consumir orgânicos faz bem para você, para sua família e para todo o planeta, essa sim é uma agricultura realmente sustentável.
AGROTÓXICOS: VILÕES INVISÍVEIS MAS PODEROSOS
O Brasil é o país que mais usa agrotóxicos no mundo! Além disso, o contrabando destes produtos é absurdamente expressivo no Brasil, ou seja, além dos defensivos permitidos, existem agricultores que muitas vezes usam produtos já proibidos há muito tempo devido ao seu alto poder de contaminação e/ou persistência no ambiente e nos animais. E isso, infelizmente, não é um simples alarmismo, ou especulação, ou suposição; são fatos verídicos e comprovados, mas que não recebem a atenção que merecem por muitos motivos, como o simples descaso e também o interesse daqueles que faturam com essa devastação toda.
Além do mais, não existe uma fiscalização eficiente quanto ao uso de agrotóxicos, tanto que todo ano a ANVISA divulga pesquisas sobre resíduos de agrotóxicos nos vegetais, e sempre acha muita contaminação, principalmente em tomate, mamão, morango, pimentão, batata, estes estão quase sempre entre os “10 mais”.
Vale lembrar que estudos muito recentes na região centro-oeste do Brasil, onde a atividade agrícola (convencional) é muito forte, encontraram resíduos de agrotóxicos em quantidades expressivas no leite materno de praticamente todas as mães pesquisadas! A que ponto chegamos! E falando em Centro-Oeste, lembro também que nosso Cerrado está caminhando a passos largos para a extinção para dar lugar a essa agricultura… sendo que mais 80% das pastagens (áreas já abertas e agricultáveis) estão altamente degradadas e extremamente subutilizadas – se fossem bem usadas, não se precisaria mais derrubar florestas para a agricultura… mas isso já é um outro assunto…
Juliana Ortega Smith
Engª Agrônoma, MSc
Maurílio Eduardo da Silva
Engº Agrícola
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